Domaine Leroy
www.domaineleroy.com Vinhos do Produtor

Vinhedos:
22 hectares próprios
Sede:
Vosne-Romanée
Altitude dos Vinhedos:
250 m.a.n.m
Produção anual média:
46.000 garrafas
Proprietária:
Marcelle Bize-Leroy
Tipo de solo predominante:
Calcáreo

Há 140 anos, em 1868, François Leroy, um distinto morador de Auxey-Duresses, decidiu começar uma empresa de compra e venda de vinhos. Nesta época, como durante muito tempo depois, os proprietários dos vinhedos praticamente não processavam suas próprias uvas ou, se o faziam, vendiam o vinho resultante logo após a fermentação para que négociants como Leroy, conhecedores dos vinhos e das técnicas de amadurecimento, lhe dessem o devido cuidado e o vendessem.

O filho deste senhor, Joseph e então o neto, Henri, deram prosseguimento ao negócio da família ambos dando verdadeiro impulso à empresa, ampliando-a: Henri incluiu em seus estoques destilados franceses e cognac e passou a vender muito vinho barato aos alemães, obtendo com isto muitos contatos e, sem dúvida, uma bela poupança.

Durante a década de 1930, Henri Leroy tornou-se um grande cliente de Edmond Gaudin de Villaine, co-proprietário do Domaine de La Romanée Conti, uma das mais antigas e mais antigamente renomadas propriedades da Borgonha. Aos poucos, os dois tornaram-se muito amigos e De Villaine confiou a Leroy a administração do Domaine e, em um determinado ponto, vendeu-lhe metade da propriedade.

Enquanto isto, a filha de Henri, Marcelle Leroy, conhecida como Lalou, crescia em meio aos vinhos e se tornava uma apaixonada por eles. Desde nova, gostava de ficar enfiada na adega, curiosando as atividades dos cavistas.

Aos 23 anos, Lalou conseguiu do pai autorização para tomar decisões em nome da Maison Leroy, uma vez que ele se dedicava concentradamente na produção do Romanée Conti. Lalou passou a selecionar os vinhos de maneira única, como faz até hoje: exclusivamente pela qualidade, avaliada em degustações completamente às cegas.

As compras eram feitas desde o início com base nesta seleção e sem nenhum tipo de vínculo ou contrato, de forma que ela obtivesse sempre vinhos da mais alta qualidade, independentemente de sua origem ou do ano. “Eu comecei como eu pretendia continuar. Comprava vinho finalizado e somente o que me agradava. Eu insistia em não ter contratos, nenhum tipo de obrigação moral. Se o vinho não fosse “extra”, eu não comprava”, disse ela.

Em 1974, a direção do Domaine de La Romanée Conti mudou de mãos para a geração mais nova e Lalou assumiu as rédeas ao lado de Aubert de Villaine. As implicações foram muitas, mas as mais significativas foram que ela passou a comandar o domaine sem, é claro, deixar que ele abalasse seu próprio negócio: pelo contrário – a Maison Leroy foi distribuidora exclusiva de DRC para quase todo o mundo durante um bom tempo, acumulando ainda mais contatos e, claro, riqueza.

Em 1988, Lalou adquire, em uma compra excepcional, o Domaine Noëllat. Com parcelas importantes de alguns dos vinhedos mais significativos da Borgonha, é transformado em Domaine Leroy e ela segue adquirindo pequenas parcelas de grandes vinhedos nos anos que seguiram.

Os vinhedos são de cultivo biodinâmico desde 1989, o que implica um trato das uvas quase obsessivo, sem nenhum aditivo sintético, com colheita muito reduzida e de acordo com um calendário zodiacal, ou seja, baseado no movimento dos astros.

Além disto, as uvas não passam por desengace e os vinhos permanecem cerca de um ano em barricas de carvalho, normalmente e, em grande parte, novas. A influência da madeira é grande, mas a concentração obtida nas uvas pelo rigor da seleção, o cuidado no cultivo e o baixíssimo rendimento (perto de ser “economicamente inviável” de acordo com Jancis Robinson) faz com que os vinhos estejam entre os mais renomados, procurados e exaltados da região.

Robert Parker, Parker’s Wine Buyer’s Guide nº 7.

“Juntamente com seu Domaine d’Auvenay, baseado em St.Romain, Lalou Bize-Leroy (a seu tempo co-diretora e até hoje proprietária de parte do Domaine de La Romanée Conti) dirige esta propriedade com algo que beira o fanatismo. Não importa se o assunto sejam suas crenças e práticas biodinâmicas, seus rendimentos minúsculos ou preços astronômicos, o tema comum é de um extremismo na busca pela qualidade. Os brancos de Leroy são aveludados e suntuosos e densos ao ponto da implosão e seus tintos oferecem a fruta mais rica e viscosa possuída por qualquer Pinot Noir do planeta, embora sua alta concentração (sem mencionar o carvalho novo) geralmente lhes empreste uma formidável estrutura tânica. Caracteristicamente, Leroy engarrafa todos os seus vinhos por volta dos 14 meses. Em 2004 ela desclassificou a produção de seus muito celebrados crus ao nível de villages, embora tenham preços altos. Ainda que sejam “só” vinhos de denominação Bourgogne, os amantes de Borgonha devem a si mesmos poder provar a destreza e a arte de Leroy.∗ ∗ ∗ ∗ ∗ (Outstanding)”

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